Por que as pessoas nunca saem dessa cidade?

Crítica: Rua do Medo- Parte 2 : 1978 (2021)

Anna Clara


Rua do Medo: 1978, o segundo filme da franquia Fear Street baseado na série de livros homônima, é ambientado algumas décadas no passado da primeira história e aprofunda um pouco mais na história das cidades Sunnyvale e Shadyside. O segundo filme consegue repetir os feitos do anterior, e na minha humilde opinião, até supera-los de certa forma.


Mesmo gostando muito do resultado, tenho que admitir que Rua do Medo: 1978 é o suco da nostalgia que colocou a Netflix no auge, fruto do grande sucesso de Stranger Things. A trilha sonora cheia de hits, muita cor e referências de filmes de terror famosos (sendo Sexta-Feira 13 a maior delas), são algumas das coisas que se destacam da comparação de Stranger Things (que por si só bebem da fonte de Stephen King), e querendo ou não, funciona.


Contar outra história cercada pela mesma mitologia é um desafio muito grande, principalmente dizendo respeito a franquias de terror, todavia Rua do Medo consegue manter o mesmo padrão, e ainda trazer mais informações que contribuem com a história. A mística da bruxa ganha mais elementos nessa narrativa, que trás personagens novos com seus próprios backstories, que são igualmente cativantes aos do último filme. O gore ainda está muito presente, e mesmo sendo muitas vezes subjetivo ainda causa muito impacto.


Os personagens aqui fogem do estereótipos unidimensional que era trazido nos próprios filmes de terror slasher (claro que existem exceções, como a maconheira e o atleta burro). Todos os personagens principais trazem camadas e profundidade, que fazem com que suas ações sejam justificáveis; até mesmo camadas que são relevantes aos mesmos personagens futuramente na franquia (sem querer dar muito spoiler). As relações entre eles são muito orgânicas e convincentes, e é possível ver a construção conforme a progressão da trama.


Rua do Medo: 1978 é uma continuação que trás tudo o que a franquia promete, terror slasher que diverte e entretém, porém com camadas e críticas sociais que normalmente não estão em filmes juvenis como esse. A sequência se mantém coesa em sua proposta tal qual seu antecessor e prepara bem o terreno para o terceiro filme.


Nota: 4/5 Lágrimas

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