O homem que vendeu sua pele

Crítica: O Homem que Vendeu Sua Pele (2020)

Caio Scovino


Talvez a maior surpresa na categoria de filme estrangeiro no Oscar esse ano tenha sido a inclusão do filme Tunísio, e mais uma vez provando que a academia desconsidera a maioria dos critérios em detrimento de temas e lobby.


O filme me soa como uma releitura norte africana do filme Sueco The Square, quem assistiu sabe do que tento descrever. Um filme expositivo, sobre os limites da arte, performance e humanidade. Com a diferença de que O homem que vendeu sua pele apresenta um subtexto da guerra da Síria e da entrada dos refugiados na Europa.


No papel a ideia soa muito promissora, mas o roteiro não consegue comover como melodrama nem se aventurar em ser uma experimentação artística mais disruptiva. O que causa um limbo de uma história que soa vazia e pretensiosa ao mesmo tempo.


Apesar de tais defeitos, a direção de Kaouther Ben Hania é muito bem sucedida em guiar o filme. Com uma câmera curiosa, porém fria, consegue fazer o paralelo entre arte e humanidade de forma subjetiva muito melhor que a exposição textual. A fotografia apresenta planos bem compostos e um uso muito bonito das lentes anamórficas. E especialmente gostaria de ressaltar a trilha sonora, não que traga elementos inovadores, mas carrega semelhanças com os trabalhos de Alberto Iglesias, no sentido de trabalhar muito bem as cordas em um tom melancólico, elegante e formalista, tom que poderia ser refletido no roteiro.


O roteiro chega a atrapalhar até as atuações. Todo o elenco se apresenta muito bem, mas as convenções os fazem perder espaço e cair em mais caricaturas do que personagens. Em especial um, que chega a ser cômico.


No geral o roteiro atrapalha tanto o filme que tudo nele perde qualquer peso, a narrativa sai de um ponto emocional e pessoal e passa por improváveis é irrisórias situações, até chegar em um final fraco e decepcionante. Uma pena, visto o esforço empenhado.


Gostaria de aproveitar a oportunidade para indicar outros filmes na lista dos elegíveis que não entraram, por diversos motivos, como o La Llorona que temos críticas no site, Histórias do bosque das castanhas e o primoroso Impetigore.


Nota: 2/5 Lágrimas


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