HUBIE HALLOWEN: O PIOR DE ADAM SANDLER?

Crítica: Hubie Halloween (2020)

Arthur Pereira


Essa crítica é escrita por um grande fã de filmes estrelados por Adam Sandler como Billy Madison (1995), Como Se Fosse a Primeira Vez (2004) e, principalmente, Click (2006). Mesmo sabendo de adversidades narrativas, técnicas e até de valores em grande parte das comédias pastelão desse ator norte-americano, são obras que fizeram parte dos meus primeiros contatos com o cinema e, após revisitá-los nos últimos anos, continuam funcionando como opção de entretenimento e carregam uma essência. Porém, dessa vez os envolvidos em Hubie Hallowen (2020), de Steven Brill, falharam tanto em escrever uma história coerente quanto para produzir um material minimamente divertido. Pelo menos essa é a opinião de um espectador com mais bagagem fílmica que anos atrás.


Adam Sandler e Tim Herlihy não são efetivos em criar situações de causa e consequência na narrativa e sustentam quase toda a escrita das piadas do roteiro em humor escatológico gratuito. Piadas que são péssimas quando ditas pela primeira vez tornam-se dolorosas quando repetidas dezenas de vezes durante o longa. Talvez a garrafa térmica como deus ex machina - solução inesperada, improvável e mirabolante para resolver adversidades da história - tenha sido o único recurso que eu tenha cedido à insistência desses cineastas e começado a rir de vergonha alheia.


Ademais, o protagonista vivido por Adam Sandler é insuportável e todas as relações entre as figuras do filme são desastrosas. A inverossimilhança não é necessariamente um defeito em uma peça audiovisual, entretanto, aqui é aliada à personagens sem qualquer mínimo traço de personalidade que faça o espectador se importar se eles morreram ou não.

É importante ressaltar que muitas das críticas feitas aqui podem ser relacionadas à outros filmes da Happy Madison Productions, produtora de Adam Sandler, mas aqui há uma falta de substância assustadora. Um dos últimos longas de comédia do ator em parceria com a Netflix, o também massacrado pela crítica “Mistério no Mediterrâneo”, foi uma comédia que, pelo menos, me divertiu muito mais.


Alguns elogios: a direção de arte é competente e a direção de fotografia apresenta planos muito interessantes que auxiliam na tentativa de criar humor. Outro ponto importante é a difícil tarefa de uma produção conseguir tirar do papel esses besteiróis americanos, e aqui é feita de forma eficaz.


Diante disso, durante as entrevistas na distribuição do brilhante Uncut Gems (2019), Adam Sandler ameaçou que se não ganhasse o Oscar iria voltar e fazer um filme que seria ruim de propósito apenas para fazer “todos pagarem”. A Academia não indicou o longa dos Safdie Brothers em nenhuma categoria. Assim, mesmo que a obra de Steven Brill já estivesse em produção muito antes dessa fala, eu paguei.


Talvez não seja o “pior filme do mundo” como Adam prometeu e nem mesmo o pior da vasta filmografia do ator, mas quando a melhor parte do longa-metragem são os créditos finais que mostram erros de gravação, há algo de muito errado. Ao menos gravá-lo parece ter sido divertido. E se você se divertiu assistindo o filme mais visto na Netflix na última semana, apenas isso que importa.


Nota: 1/5 Lágrimas


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