Relatos do mundo

Crítica: Relatos do Mundo (2020)

Caio Scovino


O novo filme do diretor normalmente associado com filmes de ação, Paul Greengrass, mostra um lado mais sutil e emocional de uma filmografia cercada de tiroteios e sequestros.

Não que ambos não existam, mas o entorno de Relatos do mundo (2020) se difere muito da franquia Bourne e de Capitão Philips.


Localizado no sul dos Estados Unidos nas décadas posteriores a guerra civil americana, visualmente e tematicamente o filme se apresenta como um faroeste. Tom Hanks é o veterano com um passado oculto e Helena Zengel é o coração de ouro que precisa ser escoltada e protegida.


É difícil não comparar com a trama de filmes como Os imperdoáveis e Bravura indômita, ambos grandes filmes tidos como os melhores de seu gênero. E de certo modo é corajoso ver uma tentativa de se fazer mais um filme como esse.


No filme, o Capitão Kidd (Tom Hanks), se depara com a órfã e abandonada Johanna (Helena Zigel). Tendo sido criada por uma tribo indígena, os Kiowa, Johanna havia sido sequestrada após o assassinato de seus familiares, agora duplamente órfã, cabe ao Capitão Kidd levá-la para seus tios, seus únicos parentes vivos. Com isso estabelecemos a jornada pela qual os personagens passarão.


Em torno dessa história um tanto simples, temos uma funcional fotografia de Dariusz Wolski, que em momentos tem uma textura e iluminação muito opressores e efetivos, especialmente nas cenas noturnas, mas em horas um espaço negativo no quadro, que certamente é intencional, mas que faz com que a imagem perca um impacto visual.


Visualmente o filme peca em alguns momentos de computação gráfica que destoa em textura, porém são em casos onde animais aparecem, o que faz ser entendível. Porém o aspecto técnico que consegue um grandioso êxito é a trilha sonora de James Newton Howard. Faixas que evocam os temas de Morricone, mas que criam uma mitologia própria, onde a carga dramática do filme é mais carregada pela música que por qualquer outro elemento cinematográfico.


Vale salientar também as boas interpretações, Tom Hanks dentro de sua zona de conforto como sempre muito bem, assim como o pontual elenco de apoio também muito funcional. Porém o brilho das interpretações é de Helena Zegel, a jovem é capaz de exprimir uma grande variação emocional em contextos distintos e contraindo a melhor personagem do filme, tendo seu arco emocional o coração do longa, que só é possível com o talento da atriz.


No geral, Relatos do mundo é um filme com uma história já conhecida, que não apresenta muito para tentar apresentar algo novo, mas dentro do que se propõe, o acerto técnico e das interpretações conseguem fazer com que a experiência de assistir ainda entretenha.


Nota: 3,5/5 Lágrimas


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