Duna - O filme que você assistiu pela Zendaya.

Crítica: Duna (2021)

Raiana Viana


Paul Atreides é um jovem com um destino traçado. Na história de Duna (2021), que se passa em um futuro distante, com planetas comandados por casas nobres, o jovem Paul e sua família são ordenados a comandar o planeta Arrakis – o mais perigoso do universo. Pode parecer uma narrativa simples, mas não é. Esse sempre foi o maior desafio daqueles que pensaram em adaptar os livros homônimos de Frank Herbert para o cinema. No filme Duna, o diretor Denis Villeneuve consegue entregar, para quem já era fã da obra literária, uma ótima adaptação de metade do primeiro livro, mas falha um pouco no equilíbrio do roteiro, ao ponto de negligenciar o espectador geral que talvez não tenha a curiosidade e a paciência de entender que Duna (“Parte I,” como aparece logo no início do filme) é uma contextualização - cinematograficamente belíssima – de algo muito maior que está por vir.


Villeneuve acerta no fio narrativo que escolhe para entregar essa contextualização, mas com isso deixa de lado a opção de entregar um filme dentro do padrão, ou seja, não entrega uma narrativa com começo, meio e fim. Apesar da primeira hora de filme apresentar diversas explicações sobre aquele mundo desconhecido e muito complexo, para poder contextualizar tudo para os espectadores, é justamente por isso que o filme se torna lento e arrastado, dificultando um pouco o interesse do espectador que não é familiarizado com os livros. E parece evidente que quem já não gostou desse ritmo inicial, também não vai gostar nada de como o filme termina, com apenas uma promessa para o próximo filme. Isso fica evidente já que, depois de uma grande batalha no final do segundo ato, o longa opta por terminar com um conflito ínfimo e até um ponto desinteressante, muito por conta das escolhas da direção, no seu modo de filmar as cenas de luta corpo a corpo.


Dito isso, o filme entrega uma excelente direção geral, excelentes atuações, excelente visual e uma excelente direção de som. Denis consegue entregar com perfeição o que ele faz de melhor: a tensão constante. Além disso, extrai dos atores as performances necessárias para que cada personagem entregue o que a narrativa precisa. Correto que fica fácil (em algumas ocasiões) quando se tem metade de Hollywood no filme (Timothée Chalamet, Zendaya, Oscar Isaac, Javier Bardem, Jason Momoa, Rebecca Ferguson...), mas até o insosso do Chalamet está bem no filme, só que o destaque mesmo fica com Jason Momoa e a Rebecca Ferguson.


Como um conjunto, é tudo bem feito, mas o que marca essa obra é o visual e o som. Visualmente, tudo está em harmonia: a fotografia é espetacular e todos os enquadramentos são belíssimos, além de conseguir, ao mesmo tempo, entregar uma escala impactante daquele mundo, junto com o realismo. A direção de arte consegue muito bem caracterizar os planetas e as personagens ao ponto de facilmente evidenciar a diferença entre eles. Os efeitos visuais, digitais e práticos, também trabalham para entregar esse impacto iconográfico durante todo o filme. As naves apresentam designs incomuns, dialogando com a ausência de inteligência artificial daquele futuro distancia, mas ao mesmo tempo são imponentes e inovadoras, com tecnologias que remetem à uma estética antiga. A trilha sonora é hostil e nervosa, ao ponto de manter a tensão mesmo quando não há nada de alarmante na tela ou nos diálogos.


No fim, para aqueles espectadores que já conheciam as aventuras de Paul Atreides e amigos, o que fica é uma adaptação fiel, dedicada e belíssima. Óbvio que é praticamente impossível entregar todos os detalhes de um livro tão complexo e rico como Duna, mas Denis Villeneuve consegue enxugar a narrativa ao ponto de não fugir tanto do livro. Além claro, de entregar uma obra cinematográfica com um visual extraordinariamente estonteante, com umas das fotográficas mais vistosas dos últimos anos, e uma trilha sonora que impregna e te acompanha por dias.


Nota: 4/5 Lágrimas



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