Uma exceção entre os clichês adolescentes

Crítica: Chemical Hearts (2020)

Raiana Viana


A Química Que Há Entre Nós (2020) é o mais novo filme original do Amazon Prime Video, uma adaptação do livro de mesmo nome para jovens-adultos da autora Krystal Sutherland. Roteirizado e dirigido por Richard Tanne (Southside With You, de 2016), o longa surpreende ao apresentar algo diferente dentro do gênero de romance adolescente. O clichê do primeiro amor na adolescência está presente, mas ao longo do filme, ele deixa claro para o espectador que está contando o clichê de uma forma diferente, focada na perda do amor e na superação de traumas.


Os dois personagens principais do filme estão ali para contar duas histórias diferentes, histórias que se encontram e que, no fim, se tornam apenas mais um aprendizado na vida de jovens adultos, prontos para uma vida além do colegial. Quando Grace (Lili Reinhart) é apresentada como uma nova estudante transferida para a escola de Henry (Austin Abrams), é previsível o que esta por vir: eles irão se apaixonar ou pelo menos se envolver. E também está claro desde o inicio que Grace passou por algum trauma em sua vida, uma bagagem bem diferente de Henry, apenas um adolescente comum que é editor do jornal da escola. É nesse conflito de histórias que o filme consegue se diferenciar dos demais romances adolescentes.


Há diversos filmes por aí que usam o trauma de um dos personagens para estremecer um relacionamento estabelecido, mas o que A Química Que Há Entre Nós faz não é fugir dos clichês, e sim usá-los bem, dentro de sua proposta. A jornada de Henry e Grace é contada de uma forma melancólica, expondo uma vulnerabilidade fiel ao mundo real. Não há cenas de heroísmo, brigas bobas ou confusões excessivas. São apenas adolescentes vivendo o primeiro amor, superando traumas e perdas. A estética fria do filme é intensa até em momentos de romantismo, deixando claro que um deles está sim vivendo o primeiro amor, porém o outro está lutando para seguir em frente e superar o trauma vivido. E o principal acerto do filme está no percurso de Grace, respeitando sua batalha emocional e não entregando a solução de seus problemas prontamente, especialmente ao não tratar Henry como o seu salvador.


Sendo o enredo de Grace a maior carga dramática, é de se esperar que Lili Reinhart carregue o filme, e ela entrega muito bem. Fica claro o desperdício do talento da atriz em series como Riverdale (2017 - )! Porém, apesar de sua ótima atuação, as falas que o roteiro entrega à Grace, são por vezes tão maduras que criam um contraste grande com o personagem de Henry e até com o próprio contexto do filme. E apesar de dar um novo ar para alguns clichês, o longa não deixa de cair neles, derrapando na breguice, principalmente em seu clímax. A romantização da dor também é outro problema. Para um filme que se mostra tão melancólico e pragmático em sua maior parte, idealizar a dor de seus personagens dessa forma em certas cenas é um desserviço.


A Química Que Há Entre Nós é um drama frio e triste que trata do limbo adolescente, um limbo de primeiros amores, primeiras desilusões, amizades, perdas e traumas, tudo isso envolto de uma nuvem de incerteza que representa a vida adulta que está por vir. Um filme que está longe de ser perfeito, e que, apesar de escorregar em alguns clichês, se mantém em sua proposta. E através de uma visão mais crua e verdadeira, entrega algo a mais para o gênero adolescente.


Nota: 3/5 Lágrimas


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