Tão sutil quanto uma chave de fenda no pescoço.

Crítica: O Diabo de Cada Dia (2020)

Caio Scovino


Após um prólogo de mais de 15 minutos um narrador te guia por um filme de mais duas horas. Desde os minutos iniciais fica claro o desfavor narrativo que o filme faz com qualquer tentativa de haver um roteiro. O que o filme fala cinematograficamente ele repete com diálogos e reitera com narração.


Vendido pela Netflix como um filme de terror, pelo trailer e pela sinopse, a história das consequências do fanatismo religioso em um pequeno vilarejo no interior da Virginia Ocidental não conseguem se sustentar devido a um roteiro fraquíssimo, que falha até a aproveitar seus pontos mais positivos.


O diretor e roteirista Antonio Campos ao menos acerta na direção de câmera, que mesmo sendo o mais enxuta possível, tentando refletir a dureza dos personagens, ainda dispõe de belos planos gerais.


E é isso que os personagens são, duros, engessados e regidos por uma lógica determinista. Após o prólogo já se estabelece que o personagem interpretado por Tom Holland vai ser uma cópia de seu pai, com os mesmos ideias, sem a mínima possibilidade de desvio. Além do determinismo frio, o tom de frustração religiosa dos autores, não existe espaço pra nenhuma interpretação além de que a religião é um mal pra humanidade e que só gera fanatismo. Tal abordagem reducionista diminui demais qualquer experiência sensível que se tente extrair da obra.


Cada personagem apresentado é um recorte de papelão diferente de um arquétipo de um livro de terceira classe do Stephen King. Queria desenvolvimento de personagem? Pois não há algum! O que mais frustra o expectador é ver performances competentes de atores já renomados sendo desperdiçados. Um dos melhores pontos do filme ao meu ver é a pequena participação de Kristin Griffith, que gera um ponto de alguma vulnerabilidade dentro da narrativa.


Não consigo ver um ponto de objetividade que possa ter levado a feitura desse filme, absolutamente tudo parece extremamente calculado por algoritmo para gerar um pequeno sucesso com os atores envolvidos.


No geral uma obra fraca que faz mais desfavor com sua existência que qualquer potencial de entretimento da trama. Um desastre, e um desastre tedioso, previsível e incapaz de causar qualquer reação.


Nota: 1,5/5 Lágrimas


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