Quibi é exatamente o que não precisamos!

Atualizado: há 4 dias

Crítica: Plataforma Quibi

Raiana Viana


Em abril de 2020, a nova plataforma de streaming Quibi foi lançada. O nome “Quibi” vem de “Quick Bites”, ou seja, “mordidas rápidas”, que é justamente a proposta da plataforma, ser um streaming de séries e filmes de curta duração. O Quibi é um serviço único para celular, sendo possível assistir ao conteúdo apenas no mesmo, já que não possui transmissão para televisão ou computador. No Brasil, a assinatura custa R$32,90 e é possível baixar e assinar o aplicativo através do Android e IOS, porém não conta com dublagem e legendas em português, apenas inglês e espanhol.


Quando você começa a usar o sistema do streaming, é até novo e interessante. O que mais chama a atenção são os episódios curtos, afinal você pensa: “Vou poder dar um intervalo na série a cada 10 minutos sem precisar interromper a trama em momentos importantes.”, o que seria ótimo para passar o tempo em uma fila de banco, não é mesmo? E você terminar uma temporada inteira em uma hora (grande parte das produções conta com até 10 episódios, variando entre 5, 7 e 10 minutos cada), então realmente é bem mais prático do que as séries clássicas de até 24 horas de conteúdo. Bom pra assistir durante uma viagem, ou talvez no ônibus depois do serviço. A adaptação do streaming quanto à visualização para o uso do celular tanto na vertical quanto na horizontal também é interessante no começo, assistir a temporada toda segurando o celular como você já está acostumado é agradável, mas uma vez que você deita o celular e vem o enquadramento tradicional, aí não tem volta. Não tem tela cheia com primeiro plano em alta definição que supere um enquadramento com vários detalhes a mais.


Talvez com as inovações do streaming você pode até se interessar pela plataforma no começo, mas com o tempo esse interesse se perda pela falta de qualidade no conteúdo. Assisti à 5 séries/filmes originais do Quibi e, apesar do esforço de uma produção até decente e de atores conhecidos, o conteúdo é mediano para ruim. A volta de Reno 911 é a única produção do streaming, das que assisti, que posso dizer que vale o seu tempo. O reboot funciona e entrega uma comédia tão boa quanto a original. Já em Dummy, com a Anna Kendrick, não sei se a bizarrice dos efeitos especiais é intencional, mas incomoda. Porém o texto sarcástico e a atuação de Kendrick ajudam a série a entregar um humor bom, mas não ao ponto de dizer que a série funciona como um todo.


O resto é vergonhoso. A série de antologia de terror 50 States of Fright, produzida pelo Sam Raimi, parece mais a série infantil de terror Goosebumps que passava na Fox Kids. A ideia da série até é interessante: releituras das diferentes lendas urbanas de cada estado dos Estados Unidos. Porém a parte boa fica só na ideia mesmo, nem a Rachel Brosnahan consegue salvar, pelo contrário, o episódio dela, o único dirigido e escrito pelo próprio Sam Raimi, chega a ser o pior dos cinco capítulos.


Filmes em capítulos é como o próprio streaming anuncia Survive e Most Dangerous Game. O primeiro conta com a Sophie Turner no papel principal (o que já é um erro pois a atriz não consegue carregar o peso da trama), mas nem a própria trama consegue entregar à complexidade necessária para falar sobre o que se propõe. O filme quer discutir sobre saúde mental, mas se desenvolve mesmo como aventura sem profundidade. Já em Most Dangerous Game, Liam Hemsworth é outro ator que não consegue entregar muito, mesmo com o Christoph Waltz ao lado. O que era para ser um filme de ação, acaba por contar uma história corrida e entediante.


Uma plataforma que aposta em uma nova forma de consumir séries e filmes, com episódios rápidos e adaptáveis para assistir ao celular em qualquer momento, mas a praticidade que o streaming quer tanto impor ao espectador, acaba se tornando uma experiência ultrapassada muito rápido, você acaba desejando voltar para sua série com episódios longos, que você pode assistir na sua televisão, sem ser interrompido pelos diversos outros aplicativos do seu celular. E além disso, o conteúdo não é bom o bastante para prender você ao ponto de se interessar a voltar para assistir alguma coisa no streaming, além dos momentos de espera na fila no banco.


NOTA: 1/5 Lágrimas



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