O conforto e o acolhimento que uma obra pode te causar é um aspecto único em algumas produções

Crítica: Mulheres do Século XX

Caio Scovino


Mulheres do século 20” (2016) é uma proposta adorável da onda do cinema independente americano. Mais um filme do selo A24 que se volta a um drama familiar, porém com abordagem única. O diferenciando dos dramas que a primeira vista podem soar semelhantes mas que decaem para abordagens mais clássicas.


A direção de Mike Mills se destaca logo nos primeiros minutos de filme, ao optar por mesclar imagens de arquivo e narrações em off muito bem postas para dar-nos os antecedentes de cada uma das “mulheres do século 20” abordadas pela trama. Junto a uma bela fotografia funcional, que não extrapola e não sobressai mas auxilia ao reforço do roteiro e direção de atores, o aspecto mais relevante dessa produção. A edição se mostra muito interessante ao longo da exibição da obra, muito certa ao fazer contrapontos e ligações narrativas.


O tom ditado pelo roteiro consegue mesclar perfeitamente o peso emocional necessário sem deixar um gosto amargo, assim como dosa pequenos sorrisos sem os deixa-los enfadonhos ou deslocados. No geral, um trabalho perfeito de escrita e certamente de vivência do autor do roteiro, que também é assinado pelo diretor.


Todo o elenco do filme se encontra no tom perfeito. Cada personagem distinto em característica, assim como trejeitos tragos na atuação de cada integrante da equipe cênica. Mas o foco vai mesmo para o arco e atuação da personagem interpretada por Annette Bening, a atriz traz o peso de uma vida no olhar, o carinho maternal e preocupação nas inflexões da fala e junto a conclusão da trama, um fechamento perfeito para o arco. Não obstante estão as atuações dos demais, o intrigante “antipatismo” de Elle Fanning, a estranheza de Greta Gerwig e a inexperiência adolescente de Lucas Jade Zumann.


Um jovem adolescente que se vê tutelado por 3 fortes personalidades femininas a fim de educá-lo em sua formação moral na ascensão para uma vida adulta. Tal estrutura relativamente simples se desdobra em arcos emotivos e carregados ao longo do filme. Ao passar por temas de maternidade, sexualidade, embate de geração, independência feminina e relacionamentos afetivos, o filme toma um viés particular ao separar estruturalmente as três mulheres na vida do rapaz e explora-los um por um. Oferecendo tempo para o expectador se aclimatar ao formato do filme e embarcar na jornada de descobrimento do mundo que cerca o personagem masculino que serve de fio condutor para revelar a real trama, a narrativa dessas mulheres distintas e suas histórias.


O uso da trilha compõe um belo ambiente remetente ao período em que o filme se situa, assim como todo o figurino e direção de arte, aspecto esse que se deve ressaltar quanto ao uso das cores. O filme apresenta uma bela e variada paleta de cores sólidas sempre presentes nos cenários e objetos de cena, o que acentua a carga narrativa e compõe uma paisagem visual vistosa e agradável, sem perder a força.


Nota: 5/5 Lágrimas


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