Nem tudo que brilha é ouro (pode ser prata ou bronze também)

Crítica: Sombra e Ossos (2021)

Julia Alfa


A série Sombra e Ossos, em inglês “Shadow and Bone”, foi lançada na Netflix no último mês de abril. Baseado na trilogia “Grisha”, de Leigh Bardugo, a fantasia adaptada à televisão ganhou oito episódios na primeira temporada, e provocou uma reação positiva nos fãs que acompanharam os livros, e também em parcela dos espectadores que conheceram a história pela primeira vez. Dessa maneira, sua renovação para a segunda temporada já está confirmada.


Sombra e Ossos se passa em uma realidade alternativa e fantasiosa, onde as pessoas são divididas em “grishas”, pessoas que possuem poderes, e o restante mundano da população. Há ainda os rebeldes “fjerdanos”, que, além de não possuírem poderes, também são inimigos daqueles que possuem. Eles acreditam que grishas são ruins e que essa raça deve ser destruída – um discurso similar aos preconceituosos e racistas que conhecemos no mundo real.


Conhecemos a protagonista Alina Starkov, uma órfã que sempre acreditou ser desprovida de poderes. Apesar de mundana, ela ainda enfrentava ataques preconceituosos entre seu grupo por ser de uma etnia estigmatizada (só saberei dizer isso, já que a série não se aprofundou nesse aspecto). Entretanto, ela acaba descobrindo (ao salvar a vida do melhor-amigo-por-quem-está-secretamente-apaixonada) que possui, sim, poderes! Inclusive, é justamente o poder de Invocadora do Sol, o mais estimado, raro e necessário para combater as sombras. Divertido, não?


A história que segue é montada a partir da jornada do herói, e acompanhamos o desenvolvimento de Alina com seus novos poderes. Além do enredo da protagonista, também acompanhamos a de Mal (o seu melhor amigo de infância que busca reencontrá-la), a de Kaz, Inej e Jasper (transgressores muito simpáticos que planejam sequestrar Alina por dinheiro) e Nina e Matthias (uma grisha e um fjerdano que a sequestrou). Acho que já está bem explicado por aqui, sim?


Sombra e Ossos começa em um ritmo acelerado extremamente interessante que prende o espectador, mas isso se torna um problema ao longo da série. A narrativa segue um pouco mais lenta, sem acontecimentos grandiosos (o que é um pouco chato), e os saltos temporais subentendidos interferem diretamente no desenvolvimento dos personagens. Alina muito rapidamente se envolve com o Invocador das Sombras, o darkling, Aleksander – mas isso ainda é compreensível. O problema maior surge na história de Nina e Matthias.


Como mencionado anteriormente, Matthias é um fjerdano (que promove ódio e caça às grishas) e Nina é uma grisha. Ela é mantida prisioneira e, de alguma forma, depois de alguns poucos episódios, isso se transforma em uma espécie de romance. Era para ser legal? Talvez se tivesse acontecido de forma longa, com muitas etapas, muitos episódios; muito desenvolvimento. Mas não houve nada disso; apenas um romance inconveniente entre uma vítima e seu agressor. Esse é, sem dúvidas, o pior aspecto da história.


Para pontos positivos, a série conta com ótimas atuações de atores nem tão conhecidos assim, com um elenco bonito e diverso. Os efeitos especiais são bem feitos e agradáveis. Apesar da quantidade de personagens, a narrativa consegue nos apresentar bem cada um deles, evitando maiores confusões.


Com batalhas em processo e muita história para ser contada ainda, é possível esperar que a segunda temporada seja melhor, e que os conflitos sejam resolvidos de maneiras mais inteligentes e bem desenvolvidas. Por agora, Sombra e Ossos é uma série com algum potencial, que tem sucesso em entreter e atrair o fã de fantasia. Como o último episódio se despede com um cliffhanger, eu acredito que o público esteja ansioso para descobrir o que acontece. Quem sabe, talvez até recorrem aos livros!


Nota: 3.5/5 Lágrimas

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