Nada que vale a pena vem fácil

Crítica: Saint Maud (2019)

Anna Clara


Saint Maud é um filme de suspense e terror psicológico de 2019, que por conta da pandemia teve sua estreia no país adiada e está aos poucos entrando em circuito comercial em 2021. Escrito e dirigido por Rose Glass, Saint Maud é seu projeto de estreia, e já mostra um olhar muito autoral da diretora, com uma estética peculiar e ambientação primorosa por domínio narrativo. Todavia, devo já adiantar que esse é outro daqueles projetos divisores de águas, ou você aprecia a obra em suas peculiaridades, ou você fica completamente perdido na narrativa.


O filme acompanha Maud, uma enfermeira particular muito religiosa, que é contratada para cuidar de Amanda, uma ex dançarina e coreógrafa que está com um linfoma em estado avançado. Vendo aquela mulher em seu estado final de vida, completamente perdida e com poucas esperanças, Maud passa a ver a conversão de Amanda ao caminho da fé como o seu objetivo divino. O filme mostra como o fanatismo religioso da personagem Maud consegue distorcer sua visão a respeito da realidade, fazendo com que ela passe por uma jornada para testar a capacidade de sua fé.


Confesso que eu mesma tive que assistir ao filme duas vezes para fazer essa crítica, por conta de diversos sentimentos conflituosos. Eu me encontrava no meio da linha de amor e ódio, de fato da primeira vez que eu assisti não consegui absorver todos os sentimentos que a obra queria me passar. Assistindo pela segunda vez, principalmente tendo em consideração as informações que eu já sabia a respeito da psiquê da personagem, fica muito mais clara as decisões da direção e os atos da personagem em si.


O desenvolvimento da trama é bastante lento, com pouquíssimas cenas de terror até a metade do segundo ato, tornando o filme um pouco parado até demais no primeiro ato e não muito atrativo no segundo. Alguns personagens aparecem apenas para trazer informações a trama e depois sumir completamente, o que pode parecer meio artificial e poderia ser facilmente substituído por flashbacks, além disso a própria protagonista não cativa muito a atenção do espectador até a metade do segundo ato. Porém uma das coisas que mais me incomodou foi a revelação do motivo de Maud ter deixado de ser enfermeira, que é, sem tirar nem por, igual ao plot twist da primeira temporada da série The Sinner (2017), que é até melhor desenvolvido na série do que no filme.


Apesar do seu desenvolvimento bastante lento e dos outros problemas apresentados, é na transição do segundo para o terceiro ato que o filme realmente se mostra a que veio. A direção e a cinematografia brilham retratando a ascensão da loucura da personagem, com aspectos visuais inovadores e belíssimos. O terror é entregue de maneira que parece ter sido reservado especialmente para esse momento, e os segundos finais fazem com que a experiência do filme inteira tenha valido a pena. O QUE SÃO AQUELES TRÊS ÚLTIMOS SEGUNDOS???


Já podemos anotar o nome de Rose Glass e ficar de olho em suas próximas produção, pois se seu filme de estreia já veio cheio de personalidade, ela tem um futuro muito promissor pela frente. Saint Maud é um filme de desenvolvimento lento, um terceiro ato eletrizante, e um final de deixar qualquer um de boca aberta.


Nota: 3,5/5 Lágrimas


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