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Atualizado: há 4 dias

Crítica: Sandy e Júnior - A História

Anna Clara


Se você é brasileiro, você conhece Sandy e Júnior. Indiferentemente se você tem 15 ou 51 anos, se você passou sua infância nos anos 90, ou se seus pais te obrigavam a ouvir quando criança, se você é brasileiro e teve acesso ao mínimo que for da mídia do nosso país, você conhece Sandy e Júnior. Afinal, como não conhecer a dupla que foi simplesmente o maior fenômeno pop do país por anos? Você pode até não ter acompanhado sua trajetória, não ter crescido com eles, ou até mesmo começar a ouvir suas músicas logo depois da separação, mas isso não diminui o impacto que eles têm na vida de cada um desse nosso Brasil.


A série documental Sandy e Júnior: A História (exclusiva do Globoplay), contém 7 capítulos que vão narrando numa sequência não linear a trajetória da dupla, desde o momento inicial, até a carreira internacional e as polêmicas envolvendo a vida íntima da família. É emocionante desde os primeiros minutos, que contam os bastidores da última apresentação da dupla, regada a lágrimas e questionamentos: “e agora?”, eles perguntam um ao outro, “acabou”.


Falo por experiência própria quando digo que a série me emocionou muito mais do que eu acreditava que faria, afinal de contas, no ano de separação da dupla (2007), eu tinha apenas 8 anos. Não acompanhei eles como minha irmã que crescera nos anos 90, mas assistir àquilo me trouxe uma memória afetiva que estava adormecida dentro de mim por anos e anos.


Assistindo aos bastidores daquela história, eu obtive a resposta de uma pergunta que eu e muitas outras pessoas sempre tivemos: por que ao contrário de tantos outros artistas que começam tão cedo, Sandy e Júnior não tiveram um final trágico, sem se envolver com algum escândalo da mídia? E a resposta veio da maneira mais óbvia possível: seus pais. Eles não tiveram pais exploradores e aproveitadores, ou pais negligentes. Eles tiveram pais que souberam respeitar as vontades de seus filhos, tanto para começar, quando para terminar com a carreira quando eles bem entendessem; afinal, o psicológico de uma criança é diretamente ligado com a relação dela com os pais. Olhando a dedicação de Xororó e principalmente a mãe Noely, que abdicou de toda e qualquer ambição pessoal para cuidar da carreira dos filhos de perto, ficou claro que eles não seriam esse fenômeno sem uma boa rede de apoio. Afinal, era isso que a dupla representava: família.


O documentário mostra também o processo por trás da turnê de reencontro Nossa História, que marcava 12 anos desde o fim da dupla. Desde as incontáveis tentativas do pai de reconciliar a dupla até aceitarem, foram anos a fio, mas quando finalmente aconteceu, só pareceu certo. Mesmo estando anos fora dos palcos da maneira que se apresentavam antigamente, a dupla deu tudo de si para entregar aos fãs a experiência completa, com longas discussões a respeito do repertório, coreografia com dançarinos e um palco gigantesco. Eles queriam proporcionar tudo aquilo que as pessoas tanto ansiavam, e conseguiram, a turnê foi a segunda mais lucrativa do ano de 2019 no mundo todo.


Falando no geral, a palavra que mais descreve o sentimento que fica quando você acaba de assistir ao documentário é nostalgia, um quentinho no peito, como um abraço de um ente querido que você não via há muito tempo e não sabia que precisava. É uma maneira muito bonita de honrar 30 anos de carreira de uma dupla tão querida, que fez com que todo o Brasil se sentisse um membro de sua família, além de fazer você cantarolar por dias e dias músicas que nem lembrava que conhecia.


NOTA: 4,5/5 Lágrimas


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