Framing Britney Spears – A culpa também é nossa!

Crítica: Framing Britney Spears: A vida de uma estrela (2021)

Raiana Viana


O documentário Framing Britney Spears: A vida de uma estrela – produzido pelo The New York Times e disponível no Globoplay – conta a trajetória da ícone pop: do início prematura ao posto de maior popstar do mundo, passando por sua queda até seu ressurgimento. O ponto central do documentário está na batalha jurídica envolvendo Britney e seu pai, já que desde 2008 a cantora vive sob tutela supervisionada por ele, contra sua vontade.


A produção não consegue se aprofundar na sua proposta, seja passando pela carreira de Britney ou pelo ponto do seu colapso, mas principalmente ao não desenvolver as teorias que apresenta ao expor o atual momento da cantora. Um trabalho claramente prejudicado pela falta de acesso às informações diretas por parte de Britney e quem a cerca.


Porém o documentário aponta algumas questões importantes para que possamos refletir sobre a crueldade a qual tratamos nossos ícones, principalmente quando são mulheres. Fica claro que desde o seu começo prematuro na indústria, Britney buscava ter o controle sobre sua vida e sua carreira, não à toa, chegou ao posto de maior ícone pop no começo dos anos 2000. Contudo, o seu colapso está mais ligado às questões externas do que a um simples desequilíbrio da cantora, como muitos gostam de equivocadamente apontar. Britney ao alcançar seu sucesso, se tornou inspiração para diversas pessoas e arrostou multidões mundo afora, mas ao mesmo tempo se tonou alvo de criticas descabidas, muitas pelo fato de ser uma mulher. Desde sua sexualização por parte da mídia, ao tentar minar sua influência com os milhares de adolescente que a acompanham, até as críticas em relação a sua maternidade, Britney sofreu com a misoginia. É claro que os paparazzis e os tabloides perpetuaram essa opressão, porém não podemos nos isentar dessa culpa, como consumidores dessa indústria. Os fãs e aqueles que simplesmente consumiam todas as notícias, fotos e piadas compartilhadas pelas mídias em relação a Britney, contribuíram de certa forma para o declínio da cantora. Toda pressão exercida pela mídia, fãs e sociedade da maior estrela da época, foi relevante para o seu desgaste emocional, ao ponto de fazê-la perder todo o controle de sua vida, como a mídia apontou. Desde que retomou a sua carreira, Britney vem dando sinais de que também está buscando cuidar mais da sua saúde mental, mas ainda se vê presa ao controle de um homem, seu pai, tanto social quanto juridicamente.


Hoje, graças a diminuição da influência das narrativas criadas por tabloides e as grandes mídias, junto de uma regulação das atividades dos paparazzis, Britney consegue, pelo menos, tentar mostrar a sua realidade através de sua rede social. Todas aquelas pessoas as quais ela ajudou e serviu de inspiração, seus fãs, que fizeram parte do movimento #freebritney, chamando a atenção para um momento em que julgavam ser particularmente delicado da cantora, que sempre estiveram ao lado dela, continuam apoiando-a incansavelmente.



Nota: 3,5/5 Lágrimas


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