De quem é o próximo ex?

Crítica: De Férias Com o Ex (2016 - 2021)

Rafael Tunussi


Desde o início da pandemia o único conteúdo audiovisual que eu consumi foram reality-shows. O que eu posso fazer? Isso edifica a minha vida, então vou falar justamente sobre isso! Mais uma temporada do “De férias com o ex Brasil” acabou e essa temporada em específico me gerou uma reflexão interessante que queria compartilhar com vocês.


Essa foi uma das temporadas que eu avalio como interessantes de se assistir pois tiveram tretas, putaria, gente babaca e tudo (em excesso) do que nós mais apreciamos no programa. Então, se você está entre assistir ou não, essa temporada vale seu tempo. E pra quem já assistiu, temos muito a fofocar.


A sétima temporada do reality foi disparada a que contou com mais brigas, mas, isso é bom? Sim, é ótimo! A gente adora. A primeira impressão que eu tive durante a maioria das brigas dessa temporada foi que os conflitos eram por motivos muito pequenos, parecia quase infantil a proporção que tudo aquilo tomava e, pensando depois um pouco sobre isso eu entendi como tudo isso é importante.


Acredito que tudo que nós assistimos e consumimos precisamos de um tempo pra assimilar e pensar sobre. O exercício de pensar o que faríamos no lugar de cada um dos participantes em cada situação, além de divertido, pode servir para nos conhecermos melhor. E essa temporada mostrou algo melhor que todas as outras: a vulnerabilidade.


Geralmente quando reality shows toma uma proporção muito grande, os participantes entram com um script, mesmo que inconsciente, de coisas que eles podem fazer que as pessoas gostariam de assistir. Tudo isso parece sempre muito forçado e vários participantes de alguns programas parecem um pouco irreais. Por isso que provavelmente você já deve ter ouvido algum fã de reality-show falar: “as primeiras temporadas eram muito melhores” e eu geralmente concordo com essa pessoa. Em “De férias com o ex” isso também acontece, mas a sétima temporada contou com participantes que não seguiram nenhum script existente, foram reais e por isso essa temporada foi tão interessante.


As pessoas se demonstraram vulneráveis e sinceras, pelo menos as que mais apareceram durante o programa, mesmo sabendo da exposição a que estão sujeitas ao longo da programação. Em muitas temporadas do reality os participantes se demonstravam fortes emocionalmente e desapegados, diferentemente desta temporada, em que as pessoas foram reais com seus sentimentos. Os desentendimentos tem relação direta com a intensidade da entrega dos participantes.


Outra situação interessante de se analisar é: até que ponto o fato de estarmos em isolamento social, devido à pandemia, interferiu no comportamento das pessoas no decorrer da temporada? Os participantes (supostamente) já estavam estressados em casa e a convivência com estranhos piorou? Finalmente poder voltar a festas contribuiu para o caos generalizado da temporada? Acredito fielmente que a resposta para as duas perguntas é sim, que todo o contexto do país potencializou ainda mais a intensidade das pessoas, devido ao tanto de brigas estúpidas e isso pro nosso entretenimento foi ótimo.


Por ser um reality show sem objetivo nenhum, apesar de todo o entretenimento, De férias com o ex está ficando um pouco repetitivo demais e precisa de fatores novos, e essa temporada foi salva pelas personalidades fortes de diversos participantes. Portanto, o futuro do reality me preocupa, já que não é um dos meus favoritos e nem um dos que mais me empolgam para assistir. Acredito que a MTV deveria investir em algo diferente. Duas boas opções são uma versão LGBTQIA+ e a volta do Are you the One, acredito que uma mudança daria novos ares ao programa.


Por fim, todos os reality shows precisam de alguém que o público vai chamar de insuportável, de um “vilão”, pois sem esse fator o programa nunca fica bom o suficiente. Assim como nos filmes, todos os personagens dos realitys são importantes para o sucesso deles. O De férias com o ex é um reality que ainda permite que as pessoas sejam vilãs, justamente por não ter um objetivo concreto, o que é muito favorável ao programa. Neste caso, tivemos vários tentando ocupar esse papel, o que também ajudou pro crescimento do programa. Um deles, Rico, nunca escondeu do que achava, do que sentia por Luiz e do que queria fazer: foi extremamente exagerado em tudo, insuportável várias vezes, mas acho que todos nós precisamos de uma dose de Rico dentro de nós e, principalmente, de Ricos em realitys, porque personagens assim sempre agregam aos programas e geram audiência.


Obs: eu queria fazer uma crítica a MTV por ainda não ter lançado uma edição LGBTQIA+, colocar só 4 gays na casa todo ano prejudica muito a experiência de todo mundo. Essa filosofia deixa os participantes com poucas opções, um dos motivos do surto de Rico provavelmente foi devido aos outros 3 gays ficarem entre si e não gostarem dele. Essa prática constante da MTV parece proposital, devido aos atritos gerados por colocar menos gays, as brigas ficam muito mais intensas do que deveriam. Além disso, o número de homens héteros também fica menor, o que prejudica também as mulheres héteros e gera mais rivalidade feminina: é preciso urgentemente mudar alguma coisa neste formato.


Nota: 3.5/5 Lágrimas

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