“Barbie Fascista” é tããão 2019, agora a moda é “Barbie Assassina”

Crítica: Freaky – No Corpo de Um Assassino (2020)

Marco Souza


Freaky – No Corpo de Um Assassino (2020) é o mais novo “terrir” (terror + comédia) do visionário Christopher Landon, mais conhecido por dirigir a franquia de mesmo gênero A Morte Te Dá Parabéns, já que com essa ressuscitou as paródias de terror, que provavelmente não eram vistas em bom estado desde O Segredo da Cabana (2011). Se em A Morte Te Dá Parabéns (2017) Landon satiriza o enredo de O Feitiço do Tempo (1993), em Freaky o diretor dá uma repaginada na história de Sexta-Feira Muito Louca/Freaky Friday (2003), homenagem que é claramente vista inclusive no nome do próprio longa. E aliás, caso vocês não saibam (já que eu não sabia kk), o filme de 2003, com a Lindsay Lohan e a Jamie Lee-Curtis, é na verdade um remake do filme original de 1976! Mas enfim, aqui vai o plot:


Millie (Kathryn Newton), uma adolescente que lida com os hematomas emocionais da recente morte de seu pai, se vê presa no corpo do Açougueiro de Blissfield (Vince Vaugh), quando o mesmo realiza um ritual de troca de corpos ao esfaquear a protagonista com uma adaga asteca mágica. Tendo apenas até a meia noite para poder esfaquear o serial killer no corpo de Millie, revertendo assim a troca, nossa heroína (agora herói?) e seus amigos entram em uma busca implacável pela maldita “Barbie assassina”, antes que seja tarde demais. Ah, e claro, é uma sexta-feira 13. Clássico.


Freaky é uma clara homenagem aos filmes slashers, tendo uma forte inspiração no já insinuado Sexta-Feira 13 (1980), que fornece diversos elementos e arquétipos com os quais o seu contemporâneo definitivamente brinca bastante, a cena inicial que o diga. O longa consegue reapropriar das narrativas dos teen slashers, que Landon definitivamente cresceu vendo, e os transforma em algo novo e completamente original, além de extremamente cômico por não se levar muito a sério. Adolescentes montando um baile de homecoming no moinho de vento abandonado no quinto dos infernos da cidade durante uma tarde só? Claro, por quê não? E eu não posso provar que esse filme foi escrito por um homem gay, mas a quantidade de camp nesse longa me leva a ter certeza que sim. E sim, eu poderia muito bem explicar o que é camp pra vocês que não sabem, mas eu propositalmente não vou porque esse é um gancho pra vocês conferirem os posts do “Camptember” no Instagram da Lacrymosa™.

Landon não só brilha como o criador e roteirista principal do projeto, mas sua direção é estonteante de tão bem feita. A composição impecável das cenas, mesmo com o ritmo constantemente acelerado da edição, faz qualquer amante do backstage dos filmes se perguntar quantos takes Landon teve que gravar pra finalmente deixar tudo tão cirurgicamente simétrico. Ele basicamente esfrega na cara da audiência que o estúdio deu a liberdade criativa que ele precisava, e eu certamente não estou reclamando. Por favor, deixem esse homem fazer paródias de terror de quantas comédias comfort movies que ele quiser.


E falando nos pontos altos do filme, é claro que temos que destacar as performances de Newton e Vaughn. Um consegue fazer uma ótima menina adolescente insegura, e a outra um ótimo serial killer sinistro de meia idade, não respectivamente. E é exatamente por isso que impressionam tanto. Humor e comédia é uma combinação de gêneros que não cai no gosto de muitos, mas aqui em Freaky, o texto, aliado às performances, conseguem elevar todos os momentos sangrentos à mais uma cena de humor negro extremamente bem executada. O que são 5 minutos de estranhezas e sangue pra um filme inteiro do melhor-amigo-gay™ Joshua (Misha Osherovich) mandando linhas de efeito que parecem ter sido escritas pela própria Diablo Cody. Osherovich aliás rouba a cena em diversos momentos, sendo que os roteiristas definitivamente queriam que isso acontecesse pela quantidade de tempo de cena que ele tem, então outro ponto pra minha teoria do roteirista gay.


Com 3 milhões a menos que em A Morte Te Dá Parabéns, Freaky não só consegue superar seu antecessor, mas faz isso com folga. E isso vem de um grande fã dos dois filmes da franquia! É sempre um sopro de ar fresco ver filmes que tratam da mais nova geração com respeito, utilizando das próprias piadas internas provenientes das vivências dos jovens atuais, no lugar de apenas ridicularizá-los por passar o tempo todo no celular ou serem militantes demais. Freaky consegue manter os pés no chão na temática adolescente, enquanto dá um triplo carpado duplo em literalmente todo o resto, mesmo que certamente não possua a profundidade dos momentos emocionais do longa prévio de Landon.


Em tese, Freaky é a comédia perfeita pra se desligar da realidade e se banquetear no surrealismo neon sangrento de uma menina branquela possuída pelo espírito de um velho nojento que mata gente que já não presta. Queria eu poder dar essa desculpa depois de passar um dia inteiro exterminando todos os meus antigos bullies. E pra quem tem medo de jumpscares ou gore intenso, eu diria que é um filme até que leve. Definitivamente mais gráfico que o esperado de um teen slasher, mas nada que uma piada sobre o Grindr não possa amenizar.


Nota: 4,5/5 Lágrimas


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